Scala compra data center da Algar Tech e investe R$ 2 bilhões

Interior paulista tem concentrado investimentos em centros de dados por fornecedores de infraestrutura e provedores de serviços de nuvem

Imagem: DIGITAL COLONY APOIA A ESTRATÉGIA LATAM COM BOLSOS CHEIOS

VALOR ECONÔMICO – Publicado em: 04/05/2021 05:01

A Scala Data Center, empresa do grupo americano Digital Colony, assinou ontem a compra de um centro de dados da Algar Tech, em Campinas, no interior de São Paulo. O valor da aquisição não foi revelado, mas faz parte de um pacote de investimentos de cerca de R$ 2 bilhões até o terceiro trimestre de 2022 destinado à expansão da operação em São Paulo.

Os recursos contemplam o projeto de ampliação do data center adquirido, a construção de um novo centro de dados em Campinas e de outras duas unidades no campus da Scala em Tamboré, na Grande São Paulo.

O cronograma prevê que as novas instalações da estrutura comprada da Algar estejam prontas no quarto trimestre deste ano, enquanto o novo data center em Campinas deve ser inaugurado no terceiro trimestre de 2022. As duas unidades em fase de construção em Tamboré devem entrar em operação no primeiro trimestre do ano que vem.

“Resolvemos partir para uma aquisição para acelerar nossa entrada em Campinas e pela demanda de mercado”, afirma Marcos Peigo, CEO da Scala Data Centers e sócio da Digital Colony na América Latina. A transação depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A empresa conta com uma área total de 130 mil metros quadrados em Campinas, onde terá três novos data centers até o primeiro trimestre de 2024, além da operação adquirida da Algar.

A entrada da Scala no interior paulista cria uma zona de estabilidade para dar cobertura a outras operações atendidas pela companhia, em caso de queda nos serviços, e agita a concorrência com empresas como Ascenty e Odata, que já atuam na região.

Segundo Peigo, a Scala vai reservar prédios inteiros para clientes de grande porte como fornecedoras de serviços de nuvem, de softwares como serviço e corporações. “Estamos criando um novo mercado para que grandes clientes tenham espaço garantido para crescer, em dez ou quinze anos, sem dividir salas com outras empresas”, diz.

No novo modelo, o cliente da Scala fecha um contrato que compreende tanto a área inicial a ser ocupada como o espaço reservado para expansão. “Como temos um modelo de construção padronizado posso negociar com antecedência com fornecedores e entregar a extensão ao cliente em seis meses.

Com a expansão da infraestrutura, a Scala busca contratar 50 engenheiros de projetos e infraestrutura de tecnologia este ano, ampliando a equipe atual de 227 profissionais.

O interior paulista tem sido o destino de investimentos recentes na expansão de centros de dados tanto de fornecedores de infraestrutura como de provedores de serviços de nuvem.

Em abril, a Ascenty anunciou que investirá US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão) na construção de cinco novos data centers em Hortolândia e Sumaré, no interior de São Paulo, até 2024, como parte de um empréstimo total de R$ US$ 925 milhões.

Também com foco na região, a IBM inaugurou, em fevereiro, uma multizona regional com data centers em Vinhedo, Santana de Parnaíba eJundiaí para atender a América Latina.Já a Amazon Web Services (AWS) anunciou um investimento de R$ 1 bilhão, de fevereiro de 2020 até o início de 2022, para ampliar sua estrutura na

região metropolitana de São Paulo, com foco no atendimento a clientes na América do Sul.