Scala Data Centers utiliza 100% de energia renovável

Plataforma fundada pela norte-americana Digital Colony é a primeira do setor de Colocation na América Latina a comprovar que toda sua eletricidade é proveniente de fonte de energia renovável

Imagem: DIGITAL COLONY APOIA A ESTRATÉGIA LATAM COM BOLSOS CHEIOS

DatacenterDynamics – Publicado em: Março 09, 2021

Uma das principais plataformas de data center hiperescaláveis no Brasil, a Scala Data Centers, acaba de anunciar que 100% da energia utilizada em suas instalações já é renovável e certificada. Totalmente em linha com os padrões de governança Ambiental, Social e Corporativa, a iniciativa é conhecida mundialmente pela sigla ESG (do inglês: Environmental, Social & Governance), e foi posta em prática após o fechamento de um contrato de 10 anos com a geradora AES Tietê e outro com a Engie Brasil Energia, ambos com a emissão de certificados de energia renovável.

Fundada em abril de 2020 pela Digital Colony, fundo de investimento especializado em infraestruturas digitais, por meio da aquisição de ativos da UOL Diveo, a empresa que possui sede em São Paulo já figura entre os maiores nomes do setor de Colocation no Brasil e na América Latina. Em entrevista, o CEO da Scala Data Centers revela detalhes da adoção de iniciativas sustentáveis na matriz energética da empresa. Leia, a seguir.

Tatiane Aquim: O último trimestre de 2020 marca o início da utilização de 100% de energia renovável certificada por parte da Scala Data Centers. Como esse trabalho foi feito?

Marcos Peigo: Em adição a um contrato que já possuíamos com a Engie que nos garantia energia a partir de fontes renováveis, fizemos uma importante negociação de um PPA (Power Purchase Agreement) de oito anos com a AES Tietê cuja geração é hidrelétrica e, portanto, baseada em fonte 100% renovável. Além disso, adquirimos de ambas os certificados emitidos pelo “International REC Standard” (I-REC) que é um sistema global que possibilita o rastreamento e a certificação da energia renovável. Importante frisar que adquirimos os I-RECs como forma tangível de representar a origem da nossa energia (afinal, não dá para “carimbar” os elétrons), mas nossa preocupação sempre foi assegurar que de fato compramos toda nossa energia de fontes renováveis e não apenas adquirimos os certificados para compensação de nossas emissões, que é o atalho disponível no mercado: compensar financeiramente o impacto gerado pelas escolhas, muitas vezes equivocadas. É verdade que o próprio mercado de certificados estimula a produção renovável, mas não vejo como uma correlação direta.

Estamos fazendo atualmente nosso inventário para medir nossa pegada de carbono e planejar nossas ações para zerá-las. O que já sabemos é que diante de nossos PPAs contemplarem energia 100% renovável, estamos muito próximos de zerar nossa pegada de carbono. Fomos os primeiros operadores de data center da região a obter 100% de fontes renováveis (enquanto outros grandes players apontaram em eventos públicos 3 – 5 anos de prazo) e seremos os primeiros neutros em carbono, ainda em 2021. Esperamos que esse exemplo sirva para definir um caminho sem volta nessa indústria e entendo que isso, mais que um diferencial competitivo, seja uma responsabilidade.

T. A.: Por que fechar um contrato pelo prazo de oito anos e por que a escolha pela AES Tietê e a Engie Brasil Energia?

M. P.: Temos um plano agressivo de crescimento na América Latina e para isso estabelecemos parcerias de longo prazo com estes dois grandes produtores de energia renovável.

T. S.: Quais são os benefícios imediatos de se investir em ESG e quais os benefícios em longo prazo?

M. P.: Estudando sobre ESG, descobri que há muitas raízes na teoria de Peter Drucker, pai da gestão moderna. Há mais de 65 anos atrás, em 1954, ele escreveu em seu livro “The Practice of Management” que o mais importante é que o “management” da companhia entenda o impacto que seu negócio traz para a sociedade. Uma empresa precisa cuidar de seus funcionários e, se trabalho e trabalhador forem mal administrados, isso acarretará na destruição do capital. “A responsabilidade principal de um negócio”, declarou ele, “é ser rentável a fim de cumprir o seu papel como órgão criador e produtor de riqueza da nossa sociedade”.

Sendo assim, vemos que a geração de valor depende diretamente do bem-estar do trabalhador e da sociedade. Por isso é tão importante investir em ESG.

Portanto, além de fazer sua parte na construção de um mundo mais sustentável, justo e ético, conseguimos resultados financeiros melhores, inclusive para nossos investidores. De acordo com um estudo da Ágora Investimentos, “o mercado financeiro precifica positivamente as questões ESG nas ações das empresas, que merecerão um prêmio em seu “valuation” ao longo do tempo. E reconhece um risco adicional para as empresas que não incorporam esses conceitos”.

ESG, para nós, é uma estratégia onde todos ganham: sociedade, clientes, investidores, funcionários e o meio ambiente.

T. A.: Que selos sustentáveis os data centers da Scala possuem?

M. P.: Além dos I-RECs para todo nosso consumo, estamos em vias de obter a certificação LEED para nosso novo data center, o SP4. Com 23MW de capacidade, ele terá dois prédios, um dedicado a um cliente hyperscale e outro focado em “ecosystem”.

Todos os novos data centers da nossa expansão, tanto no Brasil, quanto no Chile, Colômbia, Argentina e México terão esta certificação. O LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é um sistema internacional de certifi­cação e orientação ambiental para edifi­cações utilizado em mais de 160 países com foco na sustentabilidade de suas atuações.

Estamos também em processo de inventário de nossa pegada de carbono e vamos publicá-lo no Programa Brasileiro GHG Protocol que é o principal padrão de reporte de emissões de GEE (gases do efeito estufa) no Brasil e reconhecido como iniciativa de responsabilidade ambiental e climática.

T. A.: Com a iniciativa a empresa irá buscar outras certificações?

M. P.: Com certeza, não vamos parar. Nossas próximas metas são:

  • Certificação CEEDA, Certificação de Eficiência Energética para Data Centers.
  • ISO 14001, que possibilita que as organizações atendam suas necessidades socioeconômicas em equilíbrio com a proteção do meio ambiente.
  • Certificação referente a tratamento sustentável de resíduos sólidos.

T. A.: Além do foco em energia renovável, que outras iniciativas fazem parte do escopo do programa ESG da Scala?

M. P.: Ainda no âmbito do meio ambiente (Environmental), as demais certificações que comentei (LEED, ISO14001, CEEDA, Resíduos) que asseguram que estamos crescendo de acordo com as melhores práticas ambientais.

Na parte social, estabelecemos um Programa Educacional para jovens talentosos com restrições econômicas e concedemos bolsas INTEGRAIS para o curso de graduação em Engenharia. Na semana passada reunimos os 28 estudantes contemplados em um evento online onde comunicamos e celebramos este grande benefício. Foi inspirador participar de um momento tão singular, em que sabemos ter transformado a vida daqueles jovens, de suas famílias e de seus futuros filhos.

Outro momento emocionante para nós foi em dezembro de 2020. Ajudamos centenas de crianças atendidas pelo Hospital Pequeno Príncipe e pela ONG Jardim das Borboletas através de doações financeiras e suporte operacional a estas entidades.

E na frente de governança, implementamos métricas para acompanharmos mensalmente a evolução de nosso negócio em seis frentes: financeira, operacional, comercial, mercado, recursos humanos, e é claro, ESG.