Digital Colony apoia a estratégia Latam com bolsos cheios

Sendo relativamente recém-chegado ao amplo setor de infraestrutura, o fundo americano Digital Colony se propôs a tarefa desafiadora de se tornar o maior player de infraestrutura digital da América Latina.

Bnamericas Publicado: Terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Para isso, o fundo, fundado em 2017 quando a Colony Capital adquiriu a Digital Bridge Holdings, construiu uma reserva multimilionária para projetos greenfield (que começam do zero) e crescimento inorgânico em três áreas principais: fibras, torres e datacenters.

Considerando apenas as alocações diretas nesses segmentos – a empresa também faz co-investimentos – a Digital Colony tem um fundo de cerca de US$ 30 bilhões reservado a investimentos.

“Estamos nos empenhando para realizar uma transformação de uma empresa imobiliária tradicional (que era o foco da Colony Capital) para o novo imobiliário digital, composto por fibra, torres e datacenters”, Marcos Peigo (na foto), parceiro operacional da Digital Colony na América Latina, disse ao BNamericas.

Peigo, que ingressou na Digital Colony vindo da IBM em abril passado, é também o CEO da subsidiária de datacenter da Digital Colony, Scala, criada para focar nos projetos de datacenter do grupo na América Latina.

O modelo de negócio de datacenter da empresa é baseado em projetos de hiperescala e colocation, construindo infraestrutura de dados do zero para fornecer espaço, fornecimento de energia e conexões de alta velocidade para acomodar servidores e armazenamento de grandes provedores de serviços em nuvem, como AWS e Google.

DATACENTERS

Scala foi oficialmente formada com a aquisição dos ativos de colocation da empresa brasileira UOLDiveo pela Digital Colony no ano passado por 2,3 bilhões de reais (US $ 429 milhões).

Com a aquisição, a Scala assumiu dois datacenters: o SP1, com aproximadamente 25 MW de capacidade total, e o SP2, com capacidade de 7 MW, ambos localizados na região metropolitana de São Paulo.

A Scala agora está expandindo sua presença com a construção de cinco datacenters na região: um no México, um na Colômbia, um no Chile e outros dois no Brasil. Todas as obras devem começar ainda este ano.

No Brasil, o SP3 está previsto para entrar em operação em junho, o que deve elevar a capacidade total de produção no Brasil para 50 MW neste ano.

O SP3 é um datacenter hiperescalavél e single-tenant, ou seja, para um único cliente. Peigo não revelou o nome do cliente, mas é provável que seja AWS ou Oracle.

Segundo Peigo, será o primeiro datacenter do Brasil com certificação Tier III emitida pelo TIA 942, que, ao contrário das certificações Tier III da Uptime, observa não só aspectos elétricos, mas também mecânicos, incluindo telecomunicações e segurança física.

Peigo também afirma que 100% da energia usada em todas as instalações da Scala é renovável e certificada pelo International REC Standard.

Além do SP3, outro projeto a ser lançado no Brasil este ano é o SP4.

Ao contrário do SP3, será um site multi-tenant (múltiplos clientes) e está programado para entrar no ar em dezembro. O SP4 terá 25 MW de capacidade e foco no ecossistema de grandes empresas.

Cinco dos 10 datarooms do prédio já estão pré alugados para clientes atuais do Scala, que irão expandir suas capacidades.

As outras cinco salas estão em negociação. Estão em curso acordos com grandes empresas como as operadoras que já não pretendem ter datacenters próprios por questões de custos, bem como com empresas de outsourcing de TI que procuram consolidar os seus datacenters numa espécie de colocation de alojamento. “São empresas que prestam serviços de datacenter para outras empresas, mas que têm seus ativos espalhados”, disse o executivo.

Além do SP3 e do SP4, Peigo confirma que as obras começam no próximo ano nos projetos SP5 e SP6 na mesma área.

O SP5 será um edifício de 40 MW, supostamente o maior centro de capacidade da América Latina, e terá um perfil de hiperescala como o SP3.

O SP6, por sua vez, será uma continuação do SP4 com o mesmo perfil de multiempresa. Terá até 12MW de capacidade.

Além dos datacenters SP, a Scala pretende desenvolver outras duas zonas disponíveis no estado de São Paulo, com pelo menos mais um datacenter greenfield (a partir do zero) cada, a ser inaugurado no 3T22.

No total, a empresa estima que chegará a 200 MW de capacidade total no Brasil apenas 2,5 anos após sua criação, com terrenos e subestações suficientes para chegar a 400 MW, segundo o executivo.

Mas, além dos projetos no Brasil, a Scala também confirmou projetos para outros seis datacenters latino-americanos, segundo Peigo.

Dois deles serão instalados na região de Santiago do Chile.

Um desses sites está em estágio mais avançado de desenvolvimento. Será um single-tenant e hiperescalável. A empresa já está em negociações com um grande cliente.

Além desses dois datacenters no Chile, outros dois serão construídos na região de Querétaro, no México, e dois em Bogotá, na Colômbia. O plano para 2021 é iniciar a construção de um datacenter em cada país.

A Scala está focada em rivais como Equinix, Ascenty e Odata, que também estão investindo nessas nações.

“Chegamos um pouco tarde nesses países em comparação com outros players. Mas nossos investimentos são robustos e bem calculados. Não iremos para as mesmas zonas de (disponibilidade de dados) que o resto. Vamos criar zonas”, disse Peigo.

A Scala também possui parceria para construção de datacenters modulares para edge computing. Eles serão conectados aos principais datacenters que a empresa está construindo na região por meio de fibra ótica, que é outro foco dos investimentos do grupo.

Todos os investimentos são voltados para o longo prazo.

“Estamos apenas começando uma jornada de investimento. Não preciso buscar lucratividade agora. Já compramos ativos lucrativos. Tenho geração de caixa e Ebitda razoavelmente positivos para continuar financiando nossos movimentos. Não temos pressa. A pressa é continuar comprando bons ativos.”

TORRES

Um segundo pilar dos negócios do grupo é o segmento de torres, incluindo small cells e sistemas de antenas distribuídas (DAS).

A Digital Colony tem três grandes investimentos na região neste segmento: Mexico Tower Partners (MTP), a maior operadora privada de torres sem fio do México; Andean Telecom Partners (ATP), que opera fibra e torres no Chile, Peru e Colômbia; e Highline do Brasil, com foco no negócio brasileiro de torres.

A Highline foi comprada em 2019, a Andean Telecom Partners (ATP) em 2017 e a Mexico Tower Partners em 2013, por meio da Digital Bridge.

Em dezembro de 2017, a ATP anunciou a aquisição da Torres Unidas (TU) da Berkshire Partners. A compra adicionou 1.644 locais ao portfólio da ATP, tornando-a a maior empresa privada de torres da região andina.

A Mexico Tower Partners, por sua vez, tem agora 3.000 sites implantados em 32 estados mexicanos.

Adquirida da Pátria Investments em dezembro de 2019, a Highline do Brasil se tornou o principal veículo de investimento da Digital Colony para torres e fibras no Brasil.

No final de 2020, a Highline fez duas novas operações de M&A, firmando um acordo definitivo para adquirir a Phoenix Tower do Brasil (PTB) de fundos administrados pela Blackstone e abocanhando mais de 600 sites (torres) da Oi do Brasil por 1 bilhão de reais (US $ 186 milhões).

A Digital Colony possui atualmente cerca de 6.600 torres na América Latina em seu portfólio, segundo Peigo. Globalmente, o grupo tem 350.000 locais de torres, 35.000 small cells e DAS e 241.000 km de fibra óptica, além de 125 datacenters ativos, acrescentou.

FIBRA

A fibra é o terceiro pilar da estratégia de infraestrutura digital das três frentes buscada pela Digital Colony para interconectar suas torres e datacenters e atender às indústrias que buscam automatizar e digitalizar.

A Digital Colony está lutando contra o fundo Economia Real do banco de investimento BTG para os ativos de fibra da Oi.

Na semana passada, a Oi anunciou que havia entrado em negociações exclusivas com o BTG para o negócio de fibra. Isso deixa o banco mais perto de garantir o status preferencial (stalking horse) no leilão de 51% da rede de fibra da operadora brasileira, previsto para ocorrer no primeiro trimestre deste ano.

A Digital Colony não está fora do páreo, mas com status preferencial o BTG poderá cobrir qualquer outra oferta feita. Mesmo assim, Peigo não acredita que o jogo ainda tenha acabado. “Sempre vamos para essas competições para ganhar”, disse ele.

Fonte da imagem: Claudio Gatti.

fonte: bnamericas